Natal, 01 de abril de 1921.

Meu amor,

Chora minh’alma, choram os toques dos meus dedos no vento que passa rápido sem nem me cortejar…apenas passa. Sinto sua falta e a saudade corrompe meu ente, minha essência. Já não sei quem sou, o que quero, o que grita dentro de mim já não sou mais eu. Meu amor, onde você anda? Por que os canteiros floridos dessa cidade tão linda não lhe trazem ao meu encontro no acaso do destino? Só nos meus sonhos vestidos de esperança é que lhe encontro todas as noites.

Fui à uma loja de moda masculina e lembrei de você. Lá havia um quadro com um homem que se parecia muito com você, fiquei minutos contemplando-o. Tive vontade de trazê-lo para casa e pendurá-lo na parede do meu quarto. Quando vou às livrarias e vejo os livros de literatura penso em você. As vitrines das lojas da cidade têm o seu nome escrito e as decorações têm as suas cores. Onde está você, ó meu amado? Em que telas correm suas mãos macias e perfumadas? Sinto muito a sua falta, penso em você com desassossego e me pego em prantos nas minhas veias que ainda conservam o desejo por você. É uma pena que a chuva molhe o meu corpo, e você não esteja por perto para me enxugar com a sua toalha quente. Amo você, meu amor. O sol que brilha na minha vida tem o mesmo brilho da sua coragem.

Não consigo fechar meus olhos porque tenho medo de ver seu retrato no meu pensamento que insiste em lhe querer. Ah! Meu amor, como amo você! A madeira quando queimada torna-se cinza, eu depois que lhe perdi tornei-me poeira solta no tempo…estou vivendo, de uma maneira meio diferente das outras pessoas, mas vivendo e isso é bom. Porque quando vivemos sabemos que estamos construindo algo. São as curvas da estrada da minha vida que sinalizam sua presença logo adiante; são as noites tristonhas e frias que desamarram os cadarços do meu desejo. Desejo que tenho por você, pelo seu corpo, pelas suas mãos, pelos seus beijos e palavras de amor. Tocar seu corpo, acariciar seu sexo, fazer viagem nas entrelinhas de uma história ainda por ser cortada…eu quero cortar as dúvidas da sua alma e contar a história da sua vida.

Eu necessito de você. Que se dane o mundo, a sociedade, os meus princípios éticos e morais, que se levantem todos os idiotas, eu só me importo com você. E como amo você, ó amado da minha vida. Meu amor, ainda em retalhos estou costurando as roupas do meu corpo…perdoe-me pelo desabafo. Eu precisava dizer tudo isso. Lembre-se sempre desse meu amor apelidado de ridículo.

Um beijo no seu corpo e outro na sua alma,

Da sua Danda.