Onde termina o céu

Rosângela Trajano

 

Diana acordou cedo naquela manhã de outono para lavar as suas roupas e cuidar da casa. Morava na pequena cidade serrana de Martins, Rio Grande do Norte, e trabalhava como professora do ensino fundamental, mas antes de tornar-se professora aprendeu com a sua avó a arte da bruxaria e ajudava a salvar as pessoas com as suas porções mágicas. Ligou o rádio e sintonizou na sua emissora local que mais gostava de ouvir, pois tocava músicas boas e informava sobre os acontecimentos da cidade. Depois de tomar o seu café da manhã, lavou a louça e foi limpar a casa cantarolando uma canção aos pássaros que pousavam na árvore de frente a sua casa. No rádio, tocavam canções dos anos 50 de quando ainda era uma criança nos braços da sua mãe, hoje com trinta e três anos de idade já não tinha mais os seus pais e como sempre fora filha única, morava sozinha na casa deixada por eles. De repente, uma notícia no rádio chamou a sua atenção e ficou parada no meio da sala com a vassoura nas mãos a ouvir o rádio atentamente. O locutor anunciava um baile de recepção no hotel Serrano no próximo sábado às vinte e uma horas para comemorar a chegada do novo médico da cidade, o dr. Pedro Henrique. Ficou feliz com a notícia, pois fazia alguns meses que o posto de saúde estava sem médico e a população tinha que recorrer as cidades vizinhas para uma consulta médica. Os funcionários públicos da cidade foram convidados para o evento, assim como vereadores e artistas locais. Ficou pensando no dr. Pedro Henrique. Como seria ele? Simpático? Carismático como foi o dr. Luis Lopes durante os seus trinta e cinco anos de trabalhos médicos dedicados aquela cidade? O dr. Luis Lopes só parou de trabalhar quando morreu e sempre pedia o seu auxílio quando não conseguia resolver um caso de doença sozinho. Mas hoje os médicos não são mais assim, pensou. Só querem saber de ganhar dinheiro. Espero que o dr. Pedro Henrique seja diferente e cuide bem do povo dessa cidade, falou sozinha. Bem não terminara de falar com os seus botões apareceu na janela a sua amiga Lúcia, uma jovem de vinte e sete anos bióloga e poetisa que também dava aulas no mesmo colégio que ela.

– O que faz, Diana?

– Estou arrumando a casa, amiga. Amanhã é domingo e gosto de vê-la sempre limpinha.

– Trouxe algo para comermos.

– Agora?

– Sim! Por que não?

– Tomei café tem pouco tempo. Acho que não vou conseguir engolir mais nada até a hora do almoço.

– Belisque, ao menos. Fiz uns bolinhos de chuva para você.

Lúcia estava em pé na janela de frente a casa de Diana. A moça abriu a porta e mandou que ela entrasse.

– Cuidado para não pisar no lixo, Lúcia!

– Tudo bem! Não pisarei. Onde coloco a bandeja?

– Em cima da mesa, por gentileza. Está sabendo a novidade da cidade?

– Que novidade?

– O novo médico chegou. Um tal de dr. Pedro Henrique.

– Ah! Que legal! Só assim você ficará menos sobrecarregada com esse povo todos os dias pedindo chás para curar doenças a você.

– Pois é! Espero que ele seja uma boa pessoa, falou Diana com os seus enormes olhos negros, sente-se, Lúcia.

– Vamos comer os nossos bolinhos! Não tenho muito tempo! Preciso lavar roupas!

– Você e seus bolinhos de chuva! Sabe que não consigo ficar sem eles e faz isso comigo! Vamos, sim! Vou colocar água no fogo para fazer um café quentinho para gente.

Diana e Lúcia comeram os bolinhos de chuva enquanto falavam sobre as crianças da escola e a dificuldade que estavam encontrando no ensino-aprendizagem delas. Lúcia ficou pouco tempo na casa de Diana. O tempo de comerem alguns bolinhos e tomarem uma xícara de café pequena. Depois que a sua amiga foi embora, Diana terminou de arrumar a casa, lavou a louça que sujou no lanche com Lúcia, e foi lavar a sua roupa da semana. Gostava de colher as flores do seu jardim e colocar no vaso de plástico em cima da mesa da sala, todas as manhãs.

O serviço doméstico era bastante cansativo. Passou a tarde corrigindo provas e à noite, tomou um bom banho quente e decidiu passear pela pracinha do centro da cidade. Antes colocou um casaco nos seus ombros largos, pintou os lábios com um batom claro e pôs um pouco de pó no rosto de pele morena. Tinha um corpo belo, com apenas cinquenta e quatro quilos e os seus um metro e setenta e três de altura. Parecia ter uma saúde de ferro, mas na verdade era alérgica a muitas coisas. Tomava porções mágicas para a sua alergia e várias foram às vezes em que foi parar no posto de saúde tirando o sossego do dr. Luis Lopes com os seus sintomas. De repente, se pegou pensando no novo médico da cidade ao passar em frente ao hotel Serrano. Ouviu dizer que ele estava hospedado ali, mas não sabia se estava com a família completa ou sozinho. Será que era casado? Será que tinha filhos? Difícil saber assim sem ser através de alguém que teve contato mais próximo com ele. Sentou-se em um dos banquinhos da praça e ficou olhando algumas crianças a correrem perto de si. Cidade pequena não tinha muito o que se ver nos fins de semana. Eram sempre a mesma coisa, mas Diana gostava dali. O frio da serra naquele período do ano era gostoso e as pessoas eram maravilhosas para com ela. Teve uma época, antes de tornar-se professora, quando os seus pais ainda eram vivos que vendeu flores naquela praça para comprar os livros da faculdade e ajudar em casa. Seus pais eram simples agricultores e tinham uma terrinha no Sítio Serra Nova, um lugar pequeno com muitas terras boas para se plantar milho e feijão. O tempo passava devagar naquele lugar nos fins de semana. Diana levantou-se do banco para voltar a sua casa quando esbarrou em um homem que caminhava com as mãos nos bolsos.

– Oh! Desculpe-me! Eu não lhe vi!

– Eu quem peço-lhe desculpas, senhorita! Estava distraído.

Diana percebeu que ele devia ser algum hóspede do hotel, pois tinha um sotaque diferente. Devia vir do sul ou do sudeste.

– Tenha uma boa noite!

– Machucou-se?

– Não! Não! Foi só o susto mesmo!

– Como se chama?

– Diana Paiva. E o senhor?

– Tire o senhor. Eu me chamo Pedro Henrique. Sou o novo médico da cidade.

Diana achou uma coincidência grande conhecer o médico naquela noite. Ele parecia simpático e jovem demais.

– Prazer, dr. Pedro Henrique. Seja bem-vindo à cidade de Martins!

– O prazer é todo meu, Diana!

– O que faz por aqui a uma hora dessas?

– Sempre venho passear na praça nos fins de semana. Gosto de olhar as crianças brincando.

– Gosta de crianças?

– Gosto, sim. E você?

– Eu também gosto. Tenho muitos sobrinhos. Sempre que posso brinco com eles, também.

Diana achou estranho ele não falar em filhos. Rapidamente olhou para as suas mãos e não viu aliança. Devia ser solteiro, pelo jeito. Se fosse ia fazer sucesso por aquelas bandas. Afinal, era um homem bonito de cor branca, olhos castanhos e cabelos ruivos. Diferente do tipo comum que se via pela cidade.

– Bem, já vou indo para casa. Mais uma vez foi um prazer conhecê-lo, dr. Pedro Henrique.

– Estou hospedado aqui, apontou ele para o hotel, caso precise de alguma coisa é só me procurar.

– Muito obrigada pela gentileza! A minha casa também fica perto daqui, caso queira tomar um café é só perguntar a qualquer pessoa onde fica a casa da professora Diana e todos vão ensinar-lhe.

– Professora? Então leciona a crianças?

– Sim! Faz dez anos que ensino português no Grupo Escolar Almino Afonso.

– Lecionar é difícil! Tem que ter amor pela profissão. Acho bonita  a profissão de professora. A minha mãe foi professora durante quarenta anos, de artes plásticas, na França.

– Que legal! Eu nunca saí do Brasil. Conheço a França apenas por fotografias.

– Venha tomar um vinho comigo no hotel. Podemos conversar um pouco mais sobre as nossas vidas. Gostei de você. Assim começo a conhecer mais de perto as pessoas da cidade.

– Ah! Obrigada! Mas, já está tarde. Ficará para uma próxima vez. Eu durmo cedo.

– Que pena! Nos encontraremos pela cidade em outra oportunidade, então.

O dr. Pedro Henrique pegou a mão direita de Diana e a beijou suavemente. Depois seguiu com passos lentos para a entrada do hotel enquanto ela se distanciava da praça, também a passos lentos. Diana estava encantada com o médico. Era um homem muito bonito e talvez não fosse brasileiro. Podia ser um francês já que disse a sua mãe ser francesa. A sua mão era macia, o seu rosto pequeno era limpo e tinha grandes olhos castanhos claros. Vestia uma calça jeans e uma camisa branca com um casaco por sobre as costas. Era educado e parecia do tipo falante. Certamente, a cidade estava em boas mãos, pensou.

Em casa, Diana ferveu água para fazer um chá e tomou um bom banho quente. Vestiu a sua camisola de algodão e depois um robe de seda por cima. Prendeu os seus longos cabelos cacheados com uma maria xiquinha e sentou-se na poltrona da sala para tomar o seu chá quentinho. O baile de recepção ao médico aconteceria no próximo sábado. Não era muito de festas, porém estava feliz por poder compartilhar aquele momento com o dr. Pedro Henrique que parecia ser um homem gentil e educado. Por falar de médico lembrou-se que seus pais morreram de morte natural, a mãe com cento e seis anos e o pai com cento e quatro anos. As pessoas da cidade não teriam somente a ela para recorrerem quando precisassem de uma urgência, agora pelo menos teriam outra pessoa com quem contar já que a bruxaria nunca foi vista com bons olhos pelos médicos, apenas o dr. Luis Lopes tinha admiração e respeito pelo seu dom. Desde que o dr. Luis Lopes falecera a cidade ficou sem cuidados médicos e muitas pessoas estavam doentes de resfriado naquela época do ano e Diana trabalhava bastante fazendo porções mágicas para doar aos pais e responsáveis dessas crianças doentinhas.

Diana dormiu bem naquela noite. O seu quarto era grande e tinha uma cama de casal confortável, um guarda-roupa de seis portas, um baú onde guardava seus escritos de bruxaria, uma escrivaninha com uma cadeira e dois abajus do tempo da sua avó. Não usava tapetes no quarto devido a sua alergia. Apenas cortinas na janela que precisavam ser lavadas todos os fins de semana para não pegarem poeira. Acordou por volta das oito horas da manhã com o galo da vizinha cantando que era uma beleza. Levantou-se, ainda sonolenta, e tomou um banho quente. Fez o seu café da manhã com ovos mexidos, pão, cuscuz e café com leite. Depois foi corrigir o restante das provas dos seus alunos. Era sempre assim a sua vidinha por ali. Nada acontecia de novidades. Só quando Lúcia, a sua amiga, trazia uma fofoca do povo do Sítio Serra Nova para animá-la um pouco. Lúcia passava os fins de semana em Serra Nova junto dos pais e durante a semana morava em uma pequena casa alugada. Fora ela, Diana não tinha amigos tão próximos, apenas conhecidos com quem conversava um pouco de vez em quando. Não era muito de fazer amizades. Gostava da sua vida reservada. Todos queriam saber do seu último namorado, um rapaz que veio das bandas de Natal vender perfumes na cidade e acabou ficando lá por cinco anos. Diana apaixonou-se por ele e chegaram a ficar noivos, ele parecia um homem bom, até dar um golpe em Diana roubando-lhe quase dez mil reais das vendas das vacas dos seus pais. Aquilo deixou-a muito triste, porém não quis que ele fosse preso e pediu que o deixassem voltar para a sua cidade. O rapaz sempre jurou inocência, mas só ele e Diana sabiam onde estava guardado o dinheiro. Ela ficou bastante decepcionada com o acontecido e não quis mais vê-lo. Ele ainda escreveu bilhetes para ela pedindo perdão, porém não teve jeito. O delegado ficou bravo com ela ao não querer dar queixa do noivo ladrão, mas achou melhor assim.

O fim da tarde caía e o friozinho chegava. Diana tirava as roupas do varal quando ouviu uma voz masculina chamando por ela na porta de casa. Correu, ainda com as roupas nos braços, para ver quem era e teve uma surpresa ao ver o dr. Pedro Henrique parado em frente a sua casa.

– É aqui que mora uma professorinha morena e bonita?, perguntou ele, risonho.

– Dr. Pedro Henrique? Que surpresa boa! Entre, por favor.

Diana colocou as roupas em cima de uma cadeira e foi abrir a porta para o homem que estava com um perfume masculino bastante cheiroso. Ele beijou levemente a sua mão e entrou na sua casa.

– Está surpresa, hein? Eu não tinha nada para fazer e resolvi descobrir onde morava.

– Foi fácil encontrar-me?

– Sim, foi. Todos sabem onde mora a senhorita.

– Ah, ah, ah, ah! É verdade, todos sabem mesmo. Sente-se, por gentileza.

O homem sentou-se na poltrona confortável da pequena sala de visitas e ficou olhando as paredes da pequena casa bonita e confortável.

Diana sentou-se em uma cadeira de frente a ele, sem saber direito o que dizer.

– De quem são esses quadros tão bonitos?

Surpresa com o elogio quis mentir e dizer que eram de um artista desconhecido, mas o homem aproximou-se de um dos quadros e viu a sua assinatura.

– Então a senhorita além de professora também é artista?

– Eu pinto de vez em quando, dr. Pedro. Nada que chame a atenção de ninguém.

– São bonitos os seus quadros. Pinta sempre crianças? Há algum motivo?

– Gosto de crianças como já lhe disse ontem à noite.

– Soube que teve um filho ainda jovem. Onde está o seu filho agora?

Aquela pergunta Diana não esperava e não sabia como responder, pois o seu filho morrera com cinco anos de idade e talvez ele já soubesse daquilo, talvez quisesse apenas confirmar. Foi mãe solteira bem jovem. A luta de Diana para salvar a vida do seu filho foi enorme, chegou a abrir o secular livro de bruxaria da sua avó na tentativa de descobrir o elixir da imortalidade, mas um dos ingredientes para concluir a receita nunca conseguiu achar, ela precisava de dez miligramas de sangue de lobisomem. Todos comentavam que tinha um homem em Serra Nova que virava lobisomem nas noites de lua cheia e bem que ela tentou vê-lo, mas nunca o viu e assim não pôde conseguir o sangue para a porção mágica.

– Meu filho morreu com cinco anos de idade.

– Puxa! Lamento bastante! De que ele morreu?

– O médico disse que ele não resistiu ao cólera.

– Por que não o curou? Soube que é curandeira também.

– Aprendi com a vovó a fazer alguns chás caseiros para curar doenças simples. Não sou médica igual a você.

– Sempre tive fascínio para conhecer uma curandeira! São mulheres incríveis! Só nunca pensei que pudessem ser tão bonitas iguais a você!

Diana corou ao ouvir aquilo. Não queria levar aquela conversa muito longe. Ele percebeu a sua timidez e buscou outro assunto rapidamente.

– Mora sozinha aqui?

– Sim, moro.

– Onde está a sua família?

– Não tenho parentes na cidade. Meus pais morreram tem uns cinco anos, não tive irmãos e meus tios e tias moram todos em Natal, outros moram em São Paulo.

– Como se sente morando sozinha?

– Sinto-me bem. Não tenho problemas em ficar sozinha. O senhor quer tomar um café ou chá?

Diana interrompeu a chuva de perguntas do dr. Pedro Henrique. Ele estava especulando demais sobre a sua vida.

– Aceito um café amargo, por favor.

– Venha para cozinha comigo. Assim, enquanto preparo vamos conversando.

– Vejo que tem quadros espalhados pela casa inteira. Tem alguma foto do seu filho?

Ele insistia em querer saber do filho de Diana que lhe trazia muitas dores. Todos aqueles quadros na parede representavam o seu filho. Escondera as fotos reais no seu velho baú sem saber o motivo. Sempre que sentava-se para pintar era dele que se lembrava e produzia crianças brincando, estudando, correndo… de todos os jeitos.

– Estão todas guardadas as fotos do meu filho.

– Como ele se chamava?

– Maiquel. Meu pequeno Maiquel, Diana sentou-se em uma cadeira da mesa de jantar de frente para o médico.

– E o pai de Maiquel? Por onde ele anda?

Diana custou um pouco a responder. Não queria falar sobre aquilo, mas também não podia mentir, pois uma hora ou outra o dr. Pedro Henrique saberia.

– O pai de Maiquel quando soube que eu estava grávida foi embora da cidade e nunca mais tive notícias dele.

– Ele lhe deixou sozinha sabendo que estava grávida dele?

– Sim! Eu tinha apenas dezessete anos.

– Meu Deus! Como há homens estúpidos!

– Não quero falar sobre ele. Vamos mudar de assunto!

Diana começou a contar da sua vida da infância no Sítio Serra Nova para o dr. Pedro Henrique e a conversa começou a alegrá-la um pouco mais, pois sempre que se lembrava da sua vida de criança ajudando a mãe a debulhar milho, na casa de farinha, era uma grande alegria que lhe invadia a alma. Ele gostou de ouvi-la. Tomou o seu café e repetiu mais uma xícara.

– Você vendeu as terras dos seus pais nesse lugar?

– Vendi uma parte. A outra ainda tenho algumas plantações.

– Quem planta para você?

– Alguns conhecidos que moram lá.

– Esse Sítio Serra Nova fica longe daqui?

– Não tanto. Podemos ir lá quando quiser conhecer.

– Fiquei curioso para conhecer esse lugar. Também estou pensando em comprar umas terras para plantar. Sempre quis mexer com a terra.

De repente, o dr. Pedro Henrique deixou que o café quente caísse em cima da sua camisa amarela manchando o tecido e queimando o seu peito. Diana ficou preocupada e pediu para que ele retirasse a camisa rapidamente.

– O que vai fazer?, perguntou ele, intrigado.

– Vou cuidar primeiro de você. Tenho pomada para queimaduras.

– Não precisa! Não foi quase nada!

– Sei que está doendo. Está vermelho! Aí, meu Deus! Espere! Vou pegar a pomada.

Dr. Pedro Henrique deu um sorriso enquanto ela correu para o quarto e procurou a sua caixa de primeiros socorros. Encontrou a pomada e sem dizer nada começou a passá-lo no peito musculoso dele. Delicadamente, Diana esfregava a pomada no peito do homem que sequer se mexia apenas sorria levemente. Em um pequeno instante os olhares se encontraram e ele a provocou com um pequeno ai dizendo que naquele canto estava doendo mais. Diana preocupada esfregou mais pomada até que ele segurou a sua mão e a levou aos seus lábios beijando-a docemente. Diana ficou sem graça, mas ele continuou o beijo.

– Suas mãos são macias, Diana. Gosto de mãos assim.

– Pare com isso, dr. Pedro Henrique. Não vamos…

Ele não deixou que ela terminasse a frase e tomou-a nos braços num beijo ardente e longo. Diana entregou-se aquele beijo longo esquecendo de tudo. O homem puxava a língua dela para dentro da sua boca e enquanto empurrava a sua por cima dela. Ele sabia beijar bem. O beijo durou um tempo quase eterno até Diana se dá por si e se recompor diante do médico.

– Por favor, pare! Eu não posso continuar.

– Por que não pode? O que a impede?

Diana teve receio de que ficando ali ele acabasse sabendo mais dos seus segredos de bruxaria e empurrou o dr. Pedro Henrique para longe de si. Pediu, gentilmente, que ele fosse embora, pois precisava terminar de corrigir as provas dos seus alunos. Sem dizer nada ele se despediu e saiu prometendo que voltaria.